Um exemplo a ser seguido pelas empresas de contabilidade

A exemplo dos escritórios de advocacia no Brasil, algumas empresas de serviços contábeis poderiam profissionalizar suas administrações. de moda a liberar seus dirigentes para concentrar seus esforços no foco do seu negócio. Veja a matéria publicada no jornal Valor Econômico sobre os escritórios de advocacia.


Administração de escritórios sai da mão dos advogados
Cristine Prestes, De São Paulo

Até há pouco tempo, os escritórios de advocacia brasileiros eram administrados pelos próprios sócios, que dividiam a função de advogados com o comando de estruturas de pequeno e médio porte. Com o crescimento das bancas, isso passou a ser praticamente impossível. Desde o início da década de 90, esses escritórios passaram a contratar administradores vindos de outros setores para colocar em prática o que deve ser o futuro do mercado jurídico do país: a transformação das bancas em empresas de prestação de serviços jurídicos.

O movimento de profissionalização dos escritórios começou nos Estados Unidos, que hoje contam com estruturas de mais de mil advogados. No Brasil, há bancas que contrataram administradores no início dos anos 90, mas muitas delas partiram para a profissionalização somente no final da década. O Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados é uma delas. O escritório procurou um headhunter para buscar um administrador no mercado e, há cerca de três anos, o engenheiro Flávio Leal ocupa a posição de diretor-geral da banca. "Montamos um modelo e contratamos pessoas para a área de marketing, tecnologia e recursos humanos", conta. Hoje, a relação entre o número de advogados e estagiários e de pessoal de apoio do Barbosa, Müssnich é de um para 1,3. De acordo com o sócio da banca Francisco Müssnich, no ano passado o resultado dobrou em relação a 2000. "Os escritórios familiares estão desaparecendo", diz.

Segundo Flávio Leal, o primeiro escritório de advocacia que percebeu a necessidade de atuar de acordo com um modelo de empresa prestadora de serviços foi o americano Skaden, Arps, Slate, Meagher & Flom LLP, há 15 anos. De lá para cá, a movimentação em torno da profissionalização dos escritórios de advocacia cresceu tanto a ponto de fazer surgir uma associação que congrega administradores de escritórios, a Association of Legal Administrators (ALA). A ALA, com sede nos Estados Unidos, reúne 8.796 administradores de escritórios, 94,26% dos Estados Unidos e o restante de países como Canadá e Inglaterra.

A profissionalização das bancas acabou desencadeando um outro fenômeno no mercado: o surgimento de empresas que têm como clientes os escritórios de advocacia. Há empresas que vendem softwares e que fazem clipping e cálculos judiciais. Nos Estados Unidos, muito à frente do mercado brasileiro, há até companhias especializadas em mudanças e gráficas específicas para o setor. E, nesse rol de serviços, estão incluídas as empresas de consultoria para o meio jurídico.

Anna Luiza Boranga, sócia fundadora da ALB Consultoria, se inspirou na americana Altman Veil, empresa de consultoria para escritórios de advocacia, para montar sua estrutura. Ela mesma começou a trabalhar no setor jurídico quando o Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados profissionalizou o escritório contratando-a para administrá-lo, no início da década de 90. O mercado de consultoria para escritórios no país, no entanto, ainda é pequeno. "O número de escritórios capaz de absorver o custo de uma consultoria é reduzido", afirma o consultor e advogado Plínio Ribeiro, que trabalha montando estratégias de crescimento e profissionalização para bancas de advogados. Apesar disso, há quem veja o mercado de consultorias brasileiro como promissor. A consultoria americana Walker Clark, formada a partir da saída de dois sócios da Altman Veil, já está negociando sua entrada no mercado brasileiro.